Intensa(mente)
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Do Caderno
Não sei...
Terei eu mais, terei eu menos?
Seremos nós nós mesmos?
Sou chuva. Sou vento.
De onde vem este meu sentimento?
Está claro, já está escuro.
Silêncio no meu barulho!
Não sei se há Sol e alguém cobriu a Lua,
Sou Pedra pequena, perdida na rua...
Bom Ano
Ninguém disse nada
Visitei caminhos que ansiavam que alguém os pisasse, acompanhado por nuvens escuras de grande envergadura, por muito tempo fui eu, elas, os caminhos e a minha amargura. Nos longos caminhos que percorri, de mão dada comigo mesmo, enterrei as botas na lama, choveram muitas vezes, ainda que apenas no meu rosto; demorei mais do que o pensei demorar. Se antes me sentia sozinho e desamparado, de ouvidos fechados, hoje sinto-me cansado, mas capaz de ouvir e ver, ver e ouvir aquilo e aqueles que me rodeiam. Olho a minha sombra com pesar, a nossas formas já não são iguais e quem mudou, por força da Caminhada, fui eu. A todos os que descuidei durante a minha viagem, as minhas desculpas; a mim - a quem ainda não tive a capacidade de perdoar – sei que vou desculpar um dia. Até lá vou moldar-me à minha sombra e encontrar em mim a força para perdoar também quem me forçou pelo longo trilho no deserto.
Ninguém disse que ia ser fácil, mas citando Shakespeare, ‘Não há noite tão longa que não encontre o dia.’…
Caminho
Sem critério ou com motivo.
Ele é o que faço dele, sou o que ele faz de mim
E apesar de eu ser seu Mestre é ele quem determina o meu fim.